Jorge Messias, Advogado Geral da União

AGU pede que Gilmar Mendes reconsidere decisão que restringe pedidos de impeachment contra ministros do STF

Há 3 meses
Atualizado quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A Advocacia-Geral da União (AGU), sob comando de Jorge Messias, solicitou que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsidere decisão recente que restringiu a legitimidade para apresentação de pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

Gilmar suspendeu trechos da Lei do Impeachment (de 1950), ao entender que apenas o procurador-geral da República pode apresentar denúncias com esse objetivo. A medida gerou forte reação política, especialmente no Senado Federal.

A decisão de Gilmar Mendes foi tomada no âmbito de uma ação em curso no Supremo. Em seu voto, o ministro considerou inconstitucional o trecho da lei que permite a qualquer cidadão apresentar denúncia por crime de responsabilidade contra membros do STF. Também determinou que o quórum para abertura de processo seja de dois terços do Senado, e não mais de maioria simples, como prevê a norma original.

Segundo o ministro, a atual regra favorece o uso político das denúncias e pode comprometer a independência do Poder Judiciário. Afirmou ainda que o modelo vigente abre espaço para retaliações partidárias, baseadas em divergências políticas e não em fundamentos jurídicos consistentes.

Em resposta, Jorge Messias, indicado ao próprio STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou manifestação contrária. O documento foi assinado também pela secretária-geral de Contencioso da AGU, Isadora Cartaxo.

A AGU defende a manutenção da legitimidade popular, com base no artigo 1º da Constituição, que prevê que todo poder emana do povo. Para Messias, permitir que apenas a Procuradoria-Geral da República tenha essa prerrogativa enfraquece o controle democrático.

“Controle do exercício do poder pelos cidadãos decorre da soberania popular”, afirma a manifestação. A AGU argumenta ainda que o próprio Senado já possui mecanismos internos para barrar denúncias sem fundamento jurídico.

Clima político se agrava com resistência à indicação de Messias

A manifestação ocorre em um ambiente político conturbado. Jorge Messias foi indicado por Lula no dia 20 de novembro para ocupar a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no STF. Sua aprovação depende do Senado, onde enfrenta resistência explícita do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A decisão de Gilmar, que provocou forte reação do Legislativo, aumentou a tensão entre os Poderes. Em nota pública, Alcolumbre criticou a medida e sugeriu até mudanças constitucionais para proteger as prerrogativas do Senado.

Reação do Senado pode travar nomeação e aumentar atritos entre os Poderes

O impasse se soma a outros episódios recentes que marcaram a reta final dos trabalhos legislativos em 2025. Há discussões em curso no Congresso, especialmente entre parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre a formação de uma bancada que busque viabilizar impeachments de ministros do STF a partir das eleições de 2026.

Apesar do embate, Messias concordou parcialmente com Gilmar ao defender o aumento do quórum necessário para o Senado dar andamento a pedidos de impeachment. Segundo ele, exigir dois terços dos votos protege a independência da Corte e reforça sua função como guardiã da Constituição.

Para a AGU, essa salvaguarda é essencial para evitar abusos, mas não deve excluir o direito de iniciativa do cidadão. O tema deve ser analisado pelo plenário virtual do STF a partir do próximo dia 12, em um julgamento que promete refletir diretamente no equilíbrio entre os poderes.

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