Ex-banqueiro e empresário Daniel Vorcaro

Banco Master contratou influenciadores para atacar Banco Central

Há 2 meses
Atualizado quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Relatos e documentos obtidos pela jornalista Malu Gaspar mostram proposta milionária para influenciadores participarem de campanha contra o BC após liquidação do Master

Uma ação de bastidores envolvendo influenciadores digitais, empresas de marketing político e a defesa do Banco Master foi revelada nesta semana pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo apuração da colunista, influenciadores de direita foram procurados com a proposta de publicar vídeos criticando o Banco Central (BC) e questionando a decisão de liquidação do Banco Master, decretada no fim de 2025.

Entre os nomes abordados está o vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, que tem 1,4 milhão de seguidores no Instagram. Ele afirmou ter sido contatado pela empresa UNLTD Brasil, por meio de um representante chamado André Salvador, com a proposta de aderir ao chamado “Projeto DV”, referência ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A youtuber Juliana Moreira Leite confirmou que também foi assediada por um agente do Banco Master para fazer parte da campanha infamante. Ela tem 1,4 milh]ão de seguidores, e recusou a proposta. Segundo Juliana, dona do perfil @juliemilk no Instagram, as reportagens de Malu Gaspar estão corretas ao denunciar o esquema de mídia que Daniel Vorcaro armopu para tentar minar a imagem do Banco Central.

Proposta incluía contrato de sigilo e promessa de ganhos milionários

Rony Gabriel recebeu, por mensagem, um convite para participar de um “trabalho de gerenciamento de crise para um executivo grande”. O influenciador relata que, em seguida, foi enviado um acordo de confidencialidade, com cláusula de multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento. O documento foi assinado por seu assessor, Nathan Felipe Ribeiro, como pré-requisito para uma reunião em que seriam apresentados os detalhes do projeto.

Em um vídeo divulgado nesta terça, 6, Salvador teria dito que a remuneração seria milionária, mas que detalhes só seriam fornecidos após a formalização do sigilo. O objetivo da ação seria publicar vídeos replicando uma matéria do portal Metrópoles, que noticiava um despacho do Tribunal de Contas da União (TCU) questionando a suposta pressa do BC ao liquidar o Master.

Outro lado: influenciadores negam contrato, mas vídeos foram publicados

A reportagem de Malu Gaspar também menciona outros influenciadores, como Marcelo Rennó, André Dias, Carol Dias e Paulo Cardoso (@cardosomundo). Eles teriam recebido propostas semelhantes. Todos publicaram vídeos colocando em dúvida a decisão do BC, mas negam ter trabalhado para o dono do Banco Master.

Estratégia envolvia até acareação no Supremo e engajamento coordenado

Segundo a apuração, os exemplos de vídeos enviados a influenciadores incluíam falas que colocavam em dúvida a motivação do BC, mencionando inclusive a acareação entre Daniel Vorcaro e o diretor de fiscalização da autarquia. A influenciadora Carol Dias, autora de um livro sobre finanças, também postou conteúdo similar. Em vídeo, questiona a rapidez da liquidação e a demora do BC para responder ao TCU.

Outro nome citado é Marcelo Rennó, que se descreve como especialista em reels. Ele acusou o BC de uma “liquidação a jato” e defendeu a possibilidade de reversão da medida pelo STF, sugerindo haver pressões políticas e interesses ocultos na decisão.

Banco Master e agências ainda não se pronunciaram

Procurados pela equipe de Malu Gaspar, os representantes da UNLTD Brasil, do Banco Master e das agências envolvidas não responderam ou negaram vínculo formal com os influenciadores mencionados. Junior Favoreto, da Portal Group BR, disse ter apenas indicado nomes, mas não firmado contratos.

Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que observou volume atípico de postagens sobre o caso no final de dezembro e está analisando se houve ataque coordenado à sua imagem institucional.

Influenciadores relatam pressão, mas rejeitam ligação política

Tanto Rony Gabriel quanto Juliana Moreira Leite afirmam que recusaram participar do projeto. Gabriel gravou um vídeo em que denuncia a proposta e mostra os documentos recebidos. Já Juliana limitou-se a confirmar que foi procurada por Junior Favoreto, mas também não aceitou.

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