Ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE

Cármen Lúcia propõe 10 regras de conduta a juízes eleitorais em ano de eleição

Há 1 mês
Atualizado terça-feira, 3 de março de 2026

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), anunciou nesta segunda-feira (2) que apresentará dez recomendações de conduta a magistrados da Justiça Eleitoral. A proposta, com foco em ética e transparência, será formalizada em reunião com presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) marcada para o próximo dia 10 de fevereiro.

O anúncio aconteceu no mesmo dia em que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, declarou Cármen relatora do futuro código de ética do Judiciário no Supremo. A ministra afirmou que o momento exige postura rigorosa por parte dos juízes, diante da crescente desconfiança social e da proximidade das eleições de outubro.

Transparência e ética são os eixos centrais das recomendações

As diretrizes propostas por Cármen Lúcia visam reforçar os princípios constitucionais de transparência, imparcialidade e honestidade. Entre os pontos destacados está a obrigação de divulgar agendas de encontros com advogados, candidatos, partidos e demais interessados.

A ministra também defendeu que os juízes mantenham postura comedida em manifestações públicas e redes sociais. O objetivo é afastar qualquer dúvida sobre a imparcialidade das decisões judiciais, especialmente em um cenário eleitoral polarizado.

Críticas veladas a práticas que comprometem a Justiça

O conteúdo das recomendações sugere uma resposta direta à crescente pressão sobre o Judiciário, inclusive diante da crise provocada pelas investigações que envolvem o banco Master no STF. Embora Cármen Lúcia não tenha citado casos específicos, ela deixou claro que práticas incompatíveis com o decoro e a honestidade não serão toleradas.

Entre os pontos mais incisivos, está a orientação para que juízes não aceitem presentes, mantenham distância de atividades externas que comprometam a atuação judicial e evitem qualquer vínculo com escritórios de advocacia envolvidos em processos sob sua jurisdição.

Justiça Eleitoral busca blindagem contra desinformação

Outro foco das recomendações é a relação da Justiça Eleitoral com as novas tecnologias. Cármen alertou para o uso indevido da inteligência artificial e das redes sociais, que podem facilitar a disseminação de informações falsas e interferir na lisura do pleito.

Segundo ela, o TSE trabalha para oferecer uma resposta jurídica a esses abusos, privilegiando a prevenção, mas sem abrir mão de ações repressivas quando necessário.

Regras de conduta surpreendem ministros do TSE

Fontes ouvidas pelo jornal Valor Econômico indicam que o anúncio surpreendeu até mesmo os ministros do próprio TSE, que não esperavam uma proposta tão abrangente. A iniciativa marca o último semestre de Cármen Lúcia à frente da Corte Eleitoral. Ela será substituída por Kassio Nunes Marques ainda neste primeiro semestre.

As medidas, se implementadas com adesão efetiva, podem reforçar a confiança nas instituições democráticas e resgatar a credibilidade da Justiça Eleitoral diante de uma sociedade cada vez mais crítica e conectada.

Autor

Leia mais

Violência contra a mulher

Lei que obriga exibição de campanhas contra violência à mulher em shows é constitucional, decide TJ-SP

Há 19 minutos

Mendonça desobriga ex-sócio do Master de depor na CPMI do INSS

Há 50 minutos
Fachada da sede do Tribunal Superior do Trabalho

Negociação coletiva pode excluir aprendizes de benefícios de bancários

Há 59 minutos
A foto mostra manifestantes durante os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Argentina protege foragido do 8 de janeiro e frustra pedido de extradição do Brasil

Há 3 horas
Claudio Castro, governador do Rio de Janeiro

Com 2 a 0 pela cassação de Cláudio Castro, Nunes Marques pede vista e suspende julgamento

Há 4 horas

Assessor de Trump consegue autorização para visitar Bolsonaro na prisão

Há 4 horas
Maximum file size: 500 MB