Nicolas Maduro entre agentes do DEA no presídio onde está confinado em Nova York

China exige libertação imediata de Maduro e condena ação militar dos EUA na Venezuela

Há 2 meses
Atualizado domingo, 4 de janeiro de 2026

Governo chinês acusa Washington de violar soberania venezuelana e alerta para riscos à paz internacional

A China pediu neste domingo (4) a libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, capturados no sábado (2) durante um ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China manifestou “choque profundo” com a operação americana e cobrou respeito ao direito internacional.

O governo chinês afirmou que os EUA devem garantir a segurança pessoal do casal, encerrar qualquer tentativa de subversão do governo venezuelano e buscar o diálogo como solução para conflitos. A ofensiva americana, segundo Pequim, representa uma violação grave da soberania da Venezuela e uma ameaça à estabilidade da América Latina.

China acusa hegemonia e alerta para consequências globais

Ainda no comunicado, o Ministério das Relações Exteriores criticou o que chamou de “comportamento hegemônico” de Washington. Para a China, o ataque desrespeita os princípios da Carta das Nações Unidas e abre precedentes perigosos para a política internacional.

“A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns”, publicou o jornal estatal China Daily, em editorial que reforçou a posição oficial do país asiático.

O texto do jornal alerta que aceitar esse tipo de intervenção militar abre espaço para que países poderosos imponham sua vontade por meio da força, colocando em risco o equilíbrio internacional. Embora o artigo não mencione diretamente a China, o contexto é interpretado como um recado indireto sobre a situação de Taiwan.

Maduro foi levado a Nova York; Trump promete controlar o petróleo

O ditador venezuelano e sua esposa foram levados sob escolta ao Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores de Nova York. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o país assumirá o controle político da Venezuela até que uma transição seja organizada.

Trump declarou ainda que os Estados Unidos passarão a explorar diretamente o petróleo venezuelano. “Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores”, afirmou, ao destacar que a infraestrutura local estava em ruínas.

Brasil reconhece vice de Maduro como interina; tensão se espalha

Com a captura de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi reconhecida pelo governo brasileiro como presidente interina. Trump, por sua vez, confirmou que mantém negociações com Rodríguez sobre os próximos passos da transição no país.

A crise venezuelana também provocou alerta entre especialistas internacionais. Há o temor de que a invasão dos EUA estimule ações semelhantes por parte de outras potências, especialmente no caso da China em relação a Taiwan — território que Pequim considera parte inalienável de seu território e sobre o qual não descarta o uso da força.

Relações sino-venezuelanas sob impacto

A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, tem a China como um de seus principais compradores. Questionado por jornalistas sobre o impacto da ação nas relações comerciais com Pequim, Trump respondeu: “Aqueles que quiserem petróleo, terão.”

Com isso, cresce a tensão entre EUA e China em meio à disputa por influência global. O caso da Venezuela pode se tornar um novo marco nas relações internacionais, com possíveis desdobramentos tanto diplomáticos quanto econômicos.

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