Delcy Rodrigues, presidente interina da Venezuela

Com discursos ambíguos, Delcy Rodríguez propõe coexistência pacífica entre Venezuela e Estados Unidos

Há 2 meses
Atualizado segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Após um discurso agressivo em defesa de Nicolás Maduro, a nova presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, adotou um tom moderado e convidou os Estados Unidos ao diálogo. Em mensagem publicada nas redes sociais no domingo (4), ela propôs uma “agenda cooperativa” entre os dois países e defendeu o direito de seu país à soberania, sinalizando uma possível reorientação diplomática após a prisão de Maduro por forças americanas.

Delcy propõe agenda de cooperação

Delcy Rodríguez, de 56 anos, assumiu a presidência interina depois que Nicolás Maduro foi capturado e levado aos Estados Unidos, onde enfrenta acusações por tráfico de drogas. Apesar de ter se recusado, no início, a reconhecer oficialmente a transição, a Suprema Corte da Venezuela confirmou sua liderança no domingo.

Em contraste com o tom inflamado de seu discurso anterior, Delcy usou sua nova declaração para reforçar a importância do diálogo e da paz. “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalhar juntos numa agenda cooperativa, voltada ao desenvolvimento compartilhado, dentro do marco do direito internacional”, escreveu.

A mudança de postura foi recebida como um sinal de que a nova presidente pode buscar distensionar as relações com Washington, marcadas por anos de conflito e sanções.

Reação dos EUA e pressão por transição

A reação do presidente Donald Trump, que anunciou a prisão de Maduro em entrevista coletiva no sábado (3), foi direta. Ele afirmou que Delcy Rodríguez teria conversado com o secretário de Estado, Marco Rubio, e aceitado cooperar com um governo de transição. No entanto, horas depois, Delcy fez um discurso inflamado acusando os Estados Unidos de “invasão” e exigindo o retorno de Maduro.

Trump respondeu com ameaças. Ao The Atlantic, declarou que “se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto”.

Apesar disso, a nova mensagem de Delcy publicada no domingo à noite não voltou a exigir a libertação de Maduro — o que foi interpretado como um possível recuo estratégico. A presidente interina afirmou: “Nosso povo e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro, e é a posição de toda a Venezuela neste momento”.

Suprema Corte confirma liderança interina

Com a decisão da Suprema Corte que a reconhece como presidente interina, Delcy Rodríguez deixa de ser apenas a vice de um governo desarticulado e passa a liderar formalmente um país mergulhado em crise. Seu passado como chanceler e figura central do chavismo pesa tanto para seu reconhecimento político quanto para a resistência de parte da população e da comunidade internacional.

Agora, a atenção se volta para os próximos passos: haverá abertura para negociações com os Estados Unidos? Delcy aceitará compor um governo de transição? Haverá eleições antecipadas?

Futuro incerto, mas com espaço para diplomacia

Delcy encerrou sua mensagem destacando sua visão para o país: “Meu sonho é uma Venezuela grande, onde todos os bons venezuelanos possam se unir.” A fala, embora simbólica, aponta para a tentativa de construir uma nova narrativa, menos baseada no confronto e mais na reconstrução.

A proposta de coexistência pacífica e cooperação ainda não encontrou resposta oficial da Casa Branca. Mas o gesto pode abrir uma nova etapa no conturbado relacionamento entre Caracas e Washington, especialmente se for seguido por ações práticas e abertura ao diálogo.

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