Vista do parque da Cidade, em Belém, a principal sede da COP30

COP30 tem início em Belém com apelos por ação global e financiamento climático

Há 4 meses
Atualizado segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Conferência da ONU sobre mudanças climáticas começa com foco em multilateralismo, metas de emissões e propostas brasileiras como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) começou oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém, no Pará. A cerimônia de abertura foi marcada por discursos que ressaltaram a urgência da ação climática global e o papel central da cooperação internacional.

O evento reúne representantes de 194 países, além de líderes de instituições internacionais, cientistas, organizações da sociedade civil e empresas. A expectativa é que a conferência sirva como marco na tentativa de acelerar o cumprimento do Acordo de Paris e fortalecer metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Abertura com troca de presidência e discursos de autoridades globais

A sessão inaugural teve a fala de Mukhtar Babayev, presidente da COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, que transmitiu a presidência da conferência ao diplomata brasileiro André Corrêa do Lago.

Também discursaram o secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas (UNFCCC), Simon Stiell, e o presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), Jim Skea.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da abertura e reforçou que não há solução possível para o desafio climático fora da esfera multilateral. “A Terra é única. A humanidade é uma só. A resposta tem de vir de todos, para todos”, afirmou.

Fundo florestal e tributação de super-ricos ganham destaque

Durante a semana, o presidente Lula já havia proposto que grandes multinacionais e os chamados super-ricos contribuam com uma tributação mínima para o financiamento climático. A sugestão ecoa posicionamentos da ONU e ganha força como instrumento de justiça ambiental.

Uma das principais bandeiras do Brasil na COP30 é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O projeto visa atrair investimentos internacionais para a conservação das florestas e o combate ao desmatamento. Mais de 50 países já declararam apoio à iniciativa, segundo o Itamaraty.

O fundo já contabiliza US$ 5,5 bilhões em compromissos, incluindo aporte de US$ 10 milhões da fundação do bilionário australiano Andrew Forrest. A meta é alcançar US$ 10 bilhões até 2026 e emitir até US$ 100 bilhões em títulos voltados ao setor privado.

Metas brasileiras e o desafio das emissões

O Brasil também atualizou sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), compromisso assumido no âmbito do Acordo de Paris. A nova meta prevê redução de 59% a 67% nas emissões de gases de efeito estufa até 2035, com base nos níveis de 2005.

Em termos absolutos, isso representa limitar as emissões brasileiras entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂ até aquele ano. O país também se compromete a zerar o desmatamento ilegal até 2030 e acabar com todo o desmatamento até 2035.

Para viabilizar as metas, o governo federal aposta no Plano de Transformação Ecológica, que envolve ações dos Três Poderes e medidas integradas em setores como energia, agricultura e infraestrutura.

Expectativas para os próximos dias da conferência

A COP30 seguirá até o fim de novembro e terá uma extensa programação de painéis, negociações técnicas e eventos paralelos. Temas como o uso de inteligência artificial para preservação ambiental e ETFs verdes estarão em debate.

Simon Stiell, da UNFCCC, destacou que as COPs anteriores trouxeram avanços concretos, como os investimentos globais em energia limpa que já somam mais de US$ 2 trilhões em 2024. No entanto, alertou que desastres climáticos continuam afetando gravemente as economias, especialmente no Sul Global.

A presidência da COP30 demonstrava preocupação com o baixo número de NDCs enviadas até recentemente, mas nas vésperas da conferência houve um salto de 64 para 106 documentos recebidos. A CEO da COP30, Ana Toni, considera esse avanço um sinal positivo.

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