painel mostra indicadores do mercado financeiro

Dólar sobe com tensão geopolítica, mas Ibovespa ignora crise e bate novo recorde histórico

Há 2 meses
Atualizado quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Enquanto riscos globais afetam dólar, juros e bolsas americanas, índice brasileiro atrai fluxo estrangeiro e destoa com forte alta

O dólar comercial fechou em alta nesta terça-feira (20), reflexo do aumento da aversão global ao risco após tensões envolvendo a Groenlândia. O clima geopolítico pressionou os mercados internacionais, levando as bolsas de Nova York a caírem com força e os juros futuros a subirem. Apesar disso, o Ibovespa contrariou a tendência global e renovou máximas históricas, impulsionado por uma rotação de investimentos internacionais em direção ao mercado acionário brasileiro.

A movimentação nos mercados ocorre em meio à escalada retórica do presidente americano Donald Trump, que reacendeu o temor de instabilidade política e comercial, além de uma possível tentativa de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos. Esse cenário gerou o chamado “sell America” — fuga de capital dos ativos americanos.

Dólar fecha em alta, mas longe das máximas do dia

O dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 5,3802, com alta de 0,30%. A moeda chegou a operar em patamar mais elevado durante o pregão, mas recuou nas horas finais da sessão. Mesmo com o avanço, analistas indicam que a busca por proteção não se concentrou exclusivamente na moeda americana, o que explica a queda parcial até o fechamento.

A preocupação global com os rumos da política externa americana afetou diretamente os mercados, em especial os Estados Unidos. A percepção de risco aumentou, e investidores buscaram alternativas mais seguras — movimento que tradicionalmente valoriza o dólar e penaliza ativos de maior risco.

Wall Street despenca com risco geopolítico e alta dos Treasuries

As bolsas americanas fecharam com quedas acentuadas. O índice Dow Jones recuou 1,76%, o S&P 500 caiu 2,06% e o Nasdaq perdeu 2,39%. O recuo foi puxado, principalmente, pelos setores de tecnologia, consumo e financeiro. Além da tensão internacional, os mercados foram pressionados pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), contaminados também por riscos fiscais no Japão.

O temor com os rumos da economia global e as incertezas políticas ampliaram o movimento de aversão a risco, refletindo em liquidação de ações e elevação dos juros futuros.

Ibovespa se descola do cenário global e atrai fluxo estrangeiro

Na contramão do ambiente externo, o Ibovespa teve um dia de valorização. Após atingir a mínima intradiária de 163.575 pontos, o índice se recuperou e encerrou o pregão aos 166.277 pontos, com alta de 0,87%. A máxima intradiária foi de 166.468 pontos — ambas as marcas representam novos recordes nominais da bolsa brasileira.

Analistas destacam que a bolsa foi beneficiada pela rotação global de ativos, com saída de recursos dos Estados Unidos e entrada em mercados emergentes, como o Brasil. A alta foi puxada principalmente por ações de grandes empresas, como TIM, Telefônica Brasil e C&A.

Juros futuros disparam com estresse nos mercados

O mercado de juros futuros brasileiro acompanhou o mau humor global e registrou forte alta em todos os vértices da curva. O contrato de DI para janeiro de 2027 subiu de 13,755% para 13,81%; o de janeiro de 2028 foi de 13,135% para 13,23%; e o de janeiro de 2029 passou de 13,17% para 13,28%. O movimento refletiu o estresse internacional, além da reavaliação de projeções sobre a Selic.

Investidores agora apostam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa básica em 15% na próxima reunião, diante do ambiente externo turbulento e da pressão sobre os preços dos ativos locais.

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