Governadores de oposição criam consórcio contyra facções

Governadores de oposição anunciam no Rio criação de consórcio interestadual contra o crime

Há 4 meses
Atualizado sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Lideranças do Sul, Sudeste e Centro-Oeste criticam Lula e lançam aliança para segurança pública após operação que deixou mais de 120 mortos no Rio

Governadores de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciaram nesta quinta-feira (30), no Rio de Janeiro, a criação de um “consórcio da paz” voltado para o combate ao crime organizado. A reunião, realizada no Palácio Guanabara, sede do Executivo fluminense, serviu como palco para críticas à política de segurança pública do governo federal, dias após uma megaoperação policial na zona Norte da capital fluminense, que resultou em mais de 120 mortes.

O encontro foi convocado pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e reuniu os chefes de Executivo de estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além da vice-governadora do Distrito Federal. A proposta central do consórcio é compartilhar informações, tecnologias e efetivos policiais entre os estados, fortalecendo a atuação conjunta contra organizações criminosas.

Reunião amplia críticas à PEC da segurança

O evento também teve como pano de fundo a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso Nacional. A proposta, apoiada pelo governo federal, busca regulamentar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), prevendo a unificação de sistemas e o compartilhamento obrigatório de dados entre União, estados e municípios.

Entretanto, os governadores presentes se mostraram contrários à PEC. Para Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, trata-se de uma “proposta fake”. Ele argumentou que a medida representa uma tentativa de retirar dos governadores o poder de definir diretrizes de segurança. “É uma intervenção direta nas polícias dos estados”, afirmou.

Acusações de leniência com a criminalidade

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, subiu o tom e acusou o governo federal de ser leniente com o crime. “Temos um presidente que vai lá fora negociar paz em guerra, mas deixa os brasileiros morrendo”, disparou. Segundo ele, a atual gestão “transformou o Brasil num paraíso para os bandidos e num inferno para as pessoas de bem”.

A crítica se refere ao papel de Lula em missões internacionais de negociação de paz, contrastado com episódios recentes de violência urbana no país, como a paralisação da cidade do Rio após operações policiais no Complexo do Alemão e da Penha.

Consórcio mira integração regional

Segundo os articuladores, o “consórcio da paz” funcionará como uma aliança para estruturar estratégias de combate ao crime entre os estados membros. A sede será no Rio de Janeiro, e a regulamentação do funcionamento está em fase de elaboração.

O governador Cláudio Castro afirmou que a ideia é usar o consórcio para dividir experiências, realizar compras conjuntas de equipamentos e promover ações integradas. “Queremos discutir estratégias e criar uma estrutura que funcione como alternativa de apoio entre os estados”, declarou.

Estiveram presentes no encontro os governadores Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Riedel (PP), do Mato Grosso do Sul; e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás. A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), também participou. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou de forma remota, enquanto Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, não chegou a tempo.

Governo federal já havia anunciado gabinete emergencial

Na véspera, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se reuniu com Castro e anunciou a criação de um escritório emergencial para o combate ao crime organizado. A nova estrutura será coordenada por Mário Sarrubbo, secretário nacional de Segurança Pública, e Victor Santos, secretário estadual do Rio. Os detalhes sobre o funcionamento do gabinete ainda não foram divulgados.

Apesar da iniciativa federal, os governadores de oposição insistem que há omissão por parte da União e pretendem convidar os 27 governadores para integrar o novo consórcio. “Temos oportunidade de mudar a realidade do nosso país com integração e diálogo”, disse Castro.

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