Justiça mantém indenização para mãe de trabalhador morto em explosão de fogos

Há 4 meses
Atualizado segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Da Redação

Por decisão da  Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) foi mantida  a condenação de um proprietário rural pela morte de um trabalhador vítima da explosão de fogos de artifício em uma plantação de mandioca. O jovem carregava artefatos usados para espantar animais quando aconteceu o acidente fatal.

O trabalhador rural morreu apenas 11 dias depois de ser contratado para trabalhar na fazenda.  Ele estava transportando fogos do tipo “bombas de solo” e serviam para espantar porcos-do-mato que invadiam a plantação. O trabalhador os carregava entre o tanque e o banco da moto quando parou na beira da estrada. Nesse momento, houve uma explosão que causou a combustão e carbonização total do corpo dele e da motocicleta.

A perícia criminal concluiu que não foi acidente de trânsito, homicídio nem suicídio. O laudo apontou que houve “inobservância dos procedimentos de segurança no manuseio dos artefatos explosivos”. Ou seja: faltaram cuidados adequados para manusear material perigoso.

A disputa na Justiça

A mãe do trabalhador processou o dono da fazenda, alegando que seu filho morreu por falta de treinamento e fiscalização adequados para lidar com os fogos de artifício.

O fazendeiro se defendeu dizendo que o jovem não estava autorizado a soltar fogos nem a usar a motocicleta. Segundo ele, o trabalhador teria agido por conta própria ao substituir o padrasto, que seria o responsável oficial por essa tarefa.

A decisão da Justiça

O juiz de primeira instância condenou o fazendeiro a pagar R$ 200 mil de indenização; e pensão mensal equivalente a dois terços do último salário do trabalhador.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) depois reduziu a indenização para R$ 70 mil e ajustou os critérios da pensão. O fazendeiro recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) pedindo redução dos valores e questionando se a mãe realmente dependia economicamente do filho.

Por que a indenização foi mantida

O ministro Amaury Rodrigues, que analisou o caso no TST, explicou dois pontos principais:

1. Dependência econômica comprovada

Em famílias de baixa renda, a lei presume que os membros se ajudam mutuamente com dinheiro. No caso, a mãe morava com o filho; ela não tinha renda própria; o  padrasto também trabalhava na fazenda com salário modesto.

Esses fatos confirmaram que ela dependia financeiramente do filho.

2. Responsabilidade do empregador

A Justiça considerou que a atividade envolvia risco acentuado. Isso significa que, independentemente de quem teve culpa direta, o patrão é responsável por garantir condições seguras de trabalho.

Como o trabalhador morreu realizando tarefa relacionada ao trabalho (mesmo que não autorizada oficialmente), o empregador deve responder pelo acidente.

Valor da indenização

O TST considerou os R$ 70 mil adequados e proporcionais às circunstâncias do caso, levando em conta a gravidade do acidente; a perda de uma vida jovem; a situação econômica da família; e o sofrimento da mãe.

O caso reforça que empregadores têm responsabilidade objetiva em atividades de risco. Mesmo que o trabalhador tenha agido sem autorização formal, o patrão deve fornecer treinamento adequado; fiscalizar o uso de materiais perigosos; e garantir condições seguras de trabalho

A decisão também protege famílias de baixa renda, reconhecendo que a perda de um trabalhador representa impacto financeiro direto para seus dependentes.


O processo tramita em segredo de justiça para proteger a identidade das pessoas envolvidas.

Autor

Leia mais

Laboratório de análises clínicas com funcionária coletando sangue

Laboratório deve ou não informar aos pais que filha menor fez teste de gravidez? STJ entende que não

Há 1 hora

Segunda Turma do STF forma maioria para manter prisão de Daniel Vorcaro por milícia privada e fraude bilionária no Banco Master

Há 2 horas
Entrada da Corregedoria Nacional de Justiça

Corregedoria Nacional estabelece diretrizes para magistrados em casos de recuperação judicial e falência de produtores rurais

Há 3 horas
Ex-presidente Jair Bolsonaro, entre policiais federais

Bolsonaro passa mal e é levado para fazer exames no hospital DF Star

Há 3 horas
Ex-banqueiro e empresário Daniel Vorcaro

STF começa a julgar  hoje se Daniel Vorcaro permanece preso

Há 6 horas
Demandas judiciais de saúde. Martelo da Justiça sob mesa ao lado de jaleco de médico e estetoscópio

Médico preso por morte de bebê tem habeas corpus negado pelo STJ

Há 6 horas
Maximum file size: 500 MB