Marina Silva abandona sessão no Senado após confronto acalorado com senadores

Há 10 meses
Atualizado segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Da Redação

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abandonou nesta terça-feira (27) uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal após uma série de confrontos e manifestações de desrespeito por parte de senadores. O episódio expôs novamente as tensões entre a agenda ambiental do governo e setores do Congresso Nacional que pressionam por flexibilização das regras de licenciamento.

Tudo começou  quando o tema do meio ambiente descambou para a polêmica da pavimentação da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM). Marina Silva havia sido convidada pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP) para prestar esclarecimentos sobre a criação de unidades de conservação da marinha na Margem Equatorial, no Norte do país. No entanto, a sessão rapidamente se desviou o assunto.

Durante três horas e meia de debates, a ministra enfrentou críticas constantes sobre a demora na liberação de licenças ambientais. O primeiro confronto ocorreu com o presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), que ironizou a “educação” de Marina e mandou que ela se “colocasse no seu lugar”.
“O senhor gostaria é que eu fosse uma mulher submissa e eu não sou”, retrucou Marina Silva, em um dos momentos mais tensos da sessão.

A gota d’água

O episódio que levou à saída definitiva da ministra envolveu o senador Plínio Valério (PSDB-AM), que protagonizara anteriormente declarações polêmicas contra Marina. “A mulher merece respeito, a ministra não”, declarou Valério durante a sessão.

Marina Silva imediatamente exigiu um pedido de desculpas, lembrando que o senador já havia feito ameaças contra ela em março deste ano, quando disse publicamente ter tido vontade de “enforcá-la”. Como Valério se recusou a se desculpar, a ministra decidiu se retirar.

“Sou ministra de Meio Ambiente, foi nessa condição que eu fui convidada e ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude”, declarou Marina em coletiva após deixar a audiência.

Histórico de hostilidade

Este não foi o primeiro embate público entre Marina Silva e Plínio Valério. Em março de 2025, durante um evento da Fecomércio no Amazonas, o senador afirmou que participar de uma audiência com a ministra por “seis horas e dez minutos” lhe deu vontade de “enforcá-la”.

A declaração gerou ampla reprovação, levando deputadas de nove partidos a apresentarem uma denúncia contra Valério no Conselho de Ética do Senado por incitação à violência e violência de gênero. Mesmo diante das críticas, o senador se recusou a se retratar, alegando que foi “apenas uma brincadeira”.

Defesa institucional

Senadores governistas saíram em defesa de Marina Silva. Rogério Carvalho (PT-SE) classificou as manifestações de desrespeito como “inaceitáveis” em um debate institucional, enquanto a senadora Eliziane Gama criticou a forma como a ministra estava sendo tratada.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também se manifestou, qualificando o episódio como “completo absurdo” e “misógino”, pedindo responsabilização dos parlamentares envolvidos.

A agenda por trás do conflito

A audiência evidenciou as tensões em torno de projetos desenvolvimentistas na Amazônia. Senadores da região Norte têm pressionado pela liberação de obras como a BR-319, considerada estratégica para a logística regional, mas que enfrenta resistência de órgãos ambientais devido aos potenciais impactos em unidades de conservação e comunidades indígenas.

Marina Silva defendeu o trabalho do Ministério do Meio Ambiente, afirmando que entre 2023 e 2025 já foram concedidas 1.250 licenças ambientais, sendo mais da metade para a Petrobras. “Ao defender o meio ambiente eu estou defendendo os interesses estratégicos do Brasil”, declarou.

Consequências políticas

Após a saída de Marina Silva, o presidente da Comissão de Infraestrutura, Marcos Rogério, anunciou que pautará na próxima sessão uma convocação formal da ministra, mecanismo mais rígido que obriga o comparecimento.

O episódio ocorre em um momento de pressão sobre a política ambiental do governo, com o Senado tendo aprovado na semana passada, com ampla maioria, a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, conhecida pelos ambientalistas como “PL da Devastação” por flexibilizar regras de proteção ambiental.

Autor

Leia mais

Ministro do STF, Dias Toffoli

Toffoli se declara suspeito em MS sobre CPI do Master e BRB na Câmara dos Deputados

Há 5 horas
Sessão plenária do STM

STM fixa, pela primeira vez, valor mínimo de indenização para reparação a vítimas de danos morais

Há 6 horas
Notificações por e-mail, sms ou whatsapp são lícitas, se abertas

Se comprovada que recebida, notificação eletrônica enviada a consumidor é válida e não pode ser contestada, decide STJ

Há 9 horas
A foto mostra a mão de uma pessoa usando uma urna eletrônica.

STF inicia julgamento da anistia por descumprimento de cotas raciais e de gênero em eleições anteriores a 2022

Há 9 horas
Cesta cheia de remédios entregues pelo SUS

CNJ institui comitê para centralizar informações sobre demandas judiciais por medicamentos no SUS

Há 10 horas

Domingos Brazão deve ser transferido para presídio no Rio

Há 10 horas
Maximum file size: 500 MB