Imagem Revista Veja

Moraes determina que Instagram preserve o perfil supostamente usado por Mauro Cid

Há 9 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Da Redação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (13) que a Meta Inc. preserve integralmente o conteúdo dos perfis “@gabrielar702” e “Gabriela R” no Instagram. A decisão ocorre um dia após a revista Veja revelar que o tenente-coronel Mauro Cid, delator da trama golpista, supostamente usou estes perfis para se comunicar com aliados de Bolsonaro, mesmo estando proibido pelo STF de usar redes sociais.

A determinação estabelece prazo de 24 horas para que a big tech americana forneça dados detalhados sobre as contas, incluindo todas as mensagens trocadas entre maio de 2023 e junho de 2025. Durante interrogatório no STF, quando questionado sobre o perfil “@gabrielar702“, Cid hesitou: “Esse perfil, eu não sei se é da minha esposa”, referindo-se a Gabriela, nome de sua esposa.

Revista Veja expõe suposto uso irregular de redes sociais

A reportagem da Veja, publicada na noite de quinta-feira, apresenta prints de conversas atribuídas ao perfil “Gabriela R”, supostamente vinculado a Mauro Cid. As mensagens teriam sido trocadas entre 29 de janeiro e 8 de março de 2024, período em que o militar estava proibido de usar redes sociais por determinação de Moraes.

Nas conversas reveladas, o perfil demonstra insatisfação com o inquérito e critica a condução das investigações, chegando a sugerir que o ministro Alexandre de Moraes teria “condenado alguns réus antecipadamente” e que já tinha “a narrativa pronta antes de a investigação ser concluída”. Em uma das mensagens, o usuário afirma: “Ele já deve ter pronto a ordem de prisão do PR (presidente Bolsonaro). Não precisa de prova. Só de narrativas”.

Delação premiada pode estar em risco

O suposto uso das redes sociais por Cid pode violar os termos da delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República. Pelo acordo, o delator se compromete a dizer a verdade e manter o sigilo sobre as informações prestadas, sendo que o descumprimento pode levar à anulação dos benefícios penais.

Durante o interrogatório no STF, Cid afirmou categoricamente que não usou redes sociais no período em que estava sob medidas restritivas. Quando pressionado pelo advogado de Bolsonaro sobre conhecer o perfil “@gabrielar702”, o militar respondeu de forma desconcertada. Nas mensagens obtidas pela Veja, há várias citações a Alexandre de Moraes, identificado pelas iniciais “AM”, e detalhes sobre as etapas da colaboração premiada.

Defesa nega autoria e Bolsonaro pede anulação da delação

A defesa de Mauro Cid protocolou pedido no STF para investigação do perfil, tratando o caso como “fake news” e afirmando que os diálogos são “inverídicos”. Os advogados argumentam que o conteúdo contém “erros crassos de concordância verbal” e um estilo “grosseiro, quase analfabeto”, incompatível com a linguagem de Cid.

O ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu à reportagem pedindo a anulação da delação de Cid. Em postagem nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que “as mensagens de Mauro Cid divulgadas pela Revista Veja escancaram o que sempre dissemos: a ‘trama golpista’ é uma farsa fabricada em cima de mentiras”. Para o ex-presidente, o caso representa “perseguição” e “uma caça às bruxas”.

A decisão de Moraes de preservar os dados do perfil representa um movimento crucial para esclarecer se houve violação dos termos da delação premiada e se Cid mentiu em seu depoimento ao STF sobre o uso de redes sociais durante o período de restrições.

Autor

Leia mais

STJ reconhece incidência de agravante por violência doméstica em contravenções penais

Juiz não pode fazer “retratação da retratação”, decide STJ

Há 29 minutos

Senado aprova acordo Mercosul-União Europeia e conclui ratificação no Congresso

Há 50 minutos

Câmara aprova PEC que reorganiza a segurança pública no Brasil

Há 2 horas

Mensagens revelam que Vorcaro comemorou emenda de Ciro Nogueira que beneficiaria o Master

Há 3 horas

Turma decide se mantem indeferimento da prisão domiciliar a Bolsonaro no dia 05

Há 13 horas
Congresso do TST sobre relações de trabalho

Pejotização interfere para além das questões trabalhistas na população brasileira, afirmam especialistas

Há 13 horas
Maximum file size: 500 MB