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MPF pede R$ 10 milhões à Globo por pronúncia da palavra “recorde”

Há 3 semanas
Atualizado sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ação civil pública sustenta que emissora difunde erro de prosódia ao pronunciar “récorde” em vez de “recorde”

O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/MG) ajuizou ação civil pública contra a Rede Globo por suposto erro reiterado na pronúncia da palavra “recorde” em seus telejornais e transmissões esportivas.

O autor da ação é o procurador da República Cléber Eustáquio Neves, que pede indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 10 milhões. Segundo ele, cada transmissão com a pronúncia considerada equivocada consolidaria o erro na memória coletiva nacional.

O processo tramita sob o número 6001127-88.2026.4.06.3803.


A controvérsia linguística

De acordo com o MPF, a palavra “recorde” deve ser pronunciada como paroxítona — reCORde — com tonicidade na sílaba “cor” e sem acento gráfico.

Na petição, o procurador sustenta que a forma “RÉ-corde”, classificada como proparoxítona, configuraria erro de prosódia. Para fundamentar o pedido, foram anexados trechos de programas como Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, incluindo exemplo atribuído ao jornalista César Tralli.

Segundo a ação, por operar concessão pública de radiodifusão, a emissora teria dever constitucional de observar a norma culta da língua portuguesa.


Fundamentação jurídica

A ação invoca dispositivos da Constituição Federal, entre eles:

  • Art. 216 – que trata do patrimônio cultural brasileiro, incluindo bens de natureza imaterial;
  • Art. 221 – que estabelece princípios para produção e programação de rádio e televisão, com finalidade educativa e informativa;
  • Art. 37, § 6º – relativo à responsabilidade civil de prestadoras de serviço público.

Para o MPF, a língua portuguesa integra o patrimônio cultural imaterial do país. Assim, a difusão reiterada da pronúncia considerada incorreta violaria direito difuso da coletividade à adequada preservação do idioma.

O pedido inclui tutela inibitória para obrigar a emissora a adequar a pronúncia em seus telejornais e transmissões, além da indenização milionária.


Debate antigo: “récorde” ou “recorde”?

A discussão sobre a pronúncia não é nova. Em artigo publicado na coluna Gramatigalhas, José Maria da Costa defende que a forma adequada, segundo a norma culta, é a paroxítona reCORde.

O autor cita o Academia Brasileira de Letras, cujo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra a palavra “recorde” sem acento gráfico — o que reforçaria a tonicidade na penúltima sílaba.

Também são mencionados gramáticos como Napoleão Mendes de Almeida, Luiz Antônio Sacconi e Arnaldo Niskier, todos no sentido de privilegiar a pronúncia paroxítona.

Niskier observa que se deve dizer “recórdes”, e não “récordes”, destacando que o termo está plenamente integrado ao português.

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