Walter Ceneviva, morto em São Paulo aos 97 anos

O adeus a Walter Ceneviva

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Morreu na madrugada de terça-feira (22), aos 97 anos, Walter Ceneviva, advogado, professor e colunista da Folha por três décadas, deixando legado de excelência jurídica e contribuição fundamental ao desenvolvimento do direito brasileiro.

O jurista estava internado há mais de uma semana no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A família não revelou a causa do falecimento. Ceneviva construiu trajetória brilhante que marcou gerações de profissionais do direito.

Especialista em direito civil, assinava a coluna “Letras Jurídicas” no caderno Cotidiano da Folha. Durante quase 30 anos, discutiu temas jurídicos com rigor técnico e linguagem acessível. A publicação encerrou-se em novembro de 2013.

Formação acadêmica sólida

Formado pela Faculdade de Direito da USP, exerceu docência na PUC-SP como professor de direito civil. Sua obra “Lei dos Registros Públicos Comentada” tornou-se referência fundamental na área. O conhecimento técnico aliado à didática diferenciada marcou sua carreira acadêmica.

Laura Ceneviva, filha do jurista, destaca a personalidade amorosa e diferenciada do pai. Segundo ela, não era apenas a inteligência esplendorosa que impressionava, mas também a preocupação genuína com as pessoas. A música era uma de suas paixões pessoais.

Método pedagógico rigoroso

O jornalista Frederico Vasconcelos relembra método peculiar de ensino de Ceneviva. Ao iniciar aulas, retirava o relógio do pulso e anunciava aos alunos que falaria durante 45 minutos. Encerrava pontualmente no tempo determinado, demonstrando disciplina exemplar.

Vasconcelos também cita Ceneviva como inspiração para seu livro “Juízes no Banco dos Réus”. A primeira citação da obra é do jurista: “Quando nem os sinais exteriores de riqueza são tomados como um início de prova, lembrando Rui Barbosa, chega-se à vergonha da honestidade mantida”.

Trajetória profissional diversificada

Ceneviva iniciou a vida profissional em 1947 como locutor de rádio. Em sua última coluna na Folha, recordou ter escrito sobre o quinto gol do Brasil no Mundial de 1958. Também traduziu quadrinhos do Pato Donald no início da editora Abril.

Formou-se em direito em 1954 no Largo São Francisco. A variedade de experiências profissionais contribuiu para sua visão ampla do direito. O advogado Luís Francisco Carvalho Filho define sua carreira como brilhante, importante e eficiente.

Reconhecimento institucional

A OAB-SP lamentou a morte e destacou legado de excelência jurídica e integridade. Segundo a entidade, Ceneviva ofereceu valiosa contribuição ao desenvolvimento do direito brasileiro. Sua atuação profissional sempre primou pela ética e competência técnica.

O Instituto dos Advogados de São Paulo considerou-o um dos mais notáveis juristas do país. O presidente Diogo de Melo ressaltou papel decisivo na consolidação de entendimentos sobre temas centrais da democracia brasileira.

Tributos do Judiciário

O ministro Gilmar Mendes, do STF, definiu Ceneviva como advogado firme e de raro brilhantismo. Segundo o magistrado, formou legião de juristas e deixa contribuição inestimável ao direito nacional. Sua produção intelectual marcou-se pelo rigor técnico e sensibilidade institucional.

A AASP, da qual foi conselheiro e vice-presidente, manifestou pesar pela perda. A entidade destacou defesa incansável da advocacia e formação de excelentes profissionais. Ceneviva sempre fez prevalecer direito e justiça em sua atuação.

O velório ocorreu no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi. O sepultamento realizou-se na tarde de terça-feira. O jurista deixa exemplo permanente para a classe jurídica e a sociedade brasileira.

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