PF se reúne com Mendonça e apresenta informações sobre inquérito do Banco Master

Há 3 semanas
Atualizado segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Da redação

O novo relator do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, se reuniu com delegados da Polícia Federal na tarde desta sexta-feira (13). O encontro aconteceu um dia depois de Mendonça ter sido sorteado para assumir a relatoria do caso, com a saída do ministro Dias Toffoli.

A reunião durou cerca de duas horas e contou com a participação de integrantes do gabinete de Mendonça e do diretor executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad. Segundo informações do STF, foi uma reunião geral de alinhamento de procedimentos e para compreender a fase da investigação, que já está em andamento. O encontro marca o início da nova fase do inquérito sob o comando de Mendonça.

Toffoli deixa relatoria após citações em investigação

A troca na relatoria do caso ocorreu após uma reunião com todos os magistrados, convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, nesta quinta-feira (12). A pressão para a saída de Toffoli do caso aumentou após a PF encaminhar para o STF material com citações ao nome do ministro, encontrado no telefone de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A suspeita de ligação entre a empresa Maridt Participações, da qual Toffoli integra o quadro societário, com o banco também elevou a temperatura. Segundo o próprio ministro, a Maridt é uma empresa familiar dirigida por seus irmãos. A companhia realizou negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, vinculada ao Banco Master.

O ponto central dessa relação comercial é o resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. De acordo com nota divulgada pelo Supremo logo após a reunião, Toffoli solicitou o envio das ações relacionadas ao Master à presidência da Corte para que fosse promovida a livre redistribuição.

Comunicado oficial contrasta com clima tenso da reunião

O comunicado oficial afirma que a mudança ocorreu “a pedido” do próprio ministro, considerando o bom andamento dos processos e os interesses institucionais do tribunal. Apesar do tom institucional da nota oficial, relatos indicam que Toffoli defendeu sua permanência na relatoria durante encontro com outros ministros.

O clima da reunião foi descrito como tenso, tendo começado com a leitura de relatório entregue pela Polícia Federal a Fachin no início da semana. Após a leitura, Toffoli teria apresentado argumentos em defesa de sua atuação e manifestado intenção de permanecer à frente das investigações.

No entanto, não havia mais ambiente político favorável para a manutenção da sua relatoria. De acordo com relatos, a maioria dos ministros avaliou que a troca seria necessária para conter críticas à Corte e preservar a imagem institucional do Supremo Tribunal Federal.

Ministros pressionam por mudança para preservar imagem do STF

Depois de ouvir os colegas, Toffoli concordou em deixar o caso e não insistiu em continuar na condução dos inquéritos. A decisão foi tomada após ponderações sobre o impacto da permanência do ministro na relatoria para a credibilidade das investigações e da própria Corte.

Desde o início das investigações, a condução do caso por Toffoli vinha sendo alvo de desconforto entre integrantes da Polícia Federal, do Banco Central, do Ministério Público Federal e do próprio Supremo. Entre os pontos mais criticados esteve a decisão de manter lacradas no STF provas obtidas na investigação.

Posteriormente, o ministro reviu a determinação, enviou as informações à Procuradoria-Geral da República e autorizou que os investigadores tivessem acesso aos dados.

Também gerou questionamentos a convocação de uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, antes da tomada formal de depoimentos dos dois. A medida foi vista por investigadores como prejudicial à estratégia de coleta de provas e depoimentos no caso.

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