O deputado Guilherme Derrite, relator do pacote da segurança pública

Quinta versão do PL Antifacção repete erros anteriores e gera impasse entre governo e relator

Há 4 meses
Atualizado terça-feira, 18 de novembro de 2025

Governo critica texto por manter conflitos de normas e enfraquecer papel da União

A quinta versão do substitutivo ao Projeto de Lei 5582/2025, conhecido como PL Antifacção, apresentada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), continua provocando forte reação no governo federal. Apesar de ajustes formais e estéticos, a proposta é considerada pelo Ministério da Justiça como tecnicamente frágil e politicamente motivada.

Nome e apresentação mudam, mas problemas persistem

Uma das primeiras mudanças identificadas é a retirada do termo “ultraviolento” do subtítulo do projeto, agora descrito apenas como “Marco Legal do Enfrentamento ao Crime Organizado”. Para o governo, a alteração é puramente cosmética. O conceito de organização criminosa “ultraviolenta” continua no texto, assim como os problemas associados a essa classificação paralela à Lei 12.850/2013.

Segundo o secretário nacional de Justiça, Marivaldo Pereira, a criação de uma definição distinta para facções gera insegurança jurídica e pode abrir caminho para nulidades e prescrições. “É a tese perfeita para ganhar tempo”, afirmou.

Falta de previsão para a atuação federal é mantida

Outro ponto criticado é a ausência de referências à Polícia Federal e à Justiça Federal. Para o Ministério da Justiça, isso representa uma “fragmentação deliberada” do enfrentamento ao crime organizado. “Não existe facção que opere dentro de um único estado”, disse Marivaldo.

Fundo de enfrentamento e repasse de recursos geram embate

O substitutivo cria o Fundo Nacional de Enfrentamento ao Crime Organizado (FUNECO), com a promessa de centralizar os recursos obtidos a partir da apreensão de bens. No entanto, a forma de distribuição é criticada por favorecer os estados em detrimento da União, com base em quem liderou a investigação.

Além disso, o texto é acusado de violar o artigo 243 da Constituição, ao retirar recursos de fundos constitucionais obrigatórios. “Essa transferência é absolutamente inconstitucional”, afirmou o secretário.

Alienação de bens e perdimento: retrocesso mantido

Outro retrocesso apontado é a retirada do mecanismo de alienação antecipada de bens, vigente desde 2019. A quinta versão exige trânsito em julgado para o leilão, o que, na prática, congela o uso desses recursos por anos.

O texto também deixa de prever o perdimento de bens mesmo após prescrição, absolvição ou morte, o que, segundo o governo, protege patrimônio de facções transferido para terceiros.

Penalidades duras, mas sem inteligência penal

A proposta endurece penas, prevendo de 20 a 40 anos de prisão, e veda benefícios como indulto e anistia. No entanto, especialistas apontam que isso não diferencia liderança de base, comprometendo a efetividade da punição.

“É um texto duro na estética e frágil na engenharia”, resumiu Marivaldo. Segundo ele, o projeto mira soldados do tráfico, mas não atinge os chefes.

Críticas da sociedade civil e riscos constitucionais

Bruno Salles, advogado e coordenador do Grupo Prerrogativas, concorda com o governo. Para ele, o texto tem foco populista e cria insegurança jurídica ao estabelecer conceitos concorrentes aos da legislação vigente.

Salles alerta ainda para o risco de enquadrar manifestantes e moradores de comunidades sob a rubrica de organização criminosa, o que poderia criminalizar indivíduos sem ligação direta com facções.

Outro ponto sensível é a tentativa de retirar a competência do Tribunal do Júri para homicídios ligados a facções, passando a decisão a um colegiado de juízes. Especialistas apontam risco de inconstitucionalidade nesse trecho.

Conclusão: impasse entre técnica e política

O governo avalia que o relator insiste em um projeto com função mais política do que prática. “Se quisesse resolver o problema, trabalharia sobre o texto do Executivo”, afirma Marivaldo. Para ele, a quinta versão, como as anteriores, repete erros e não oferece solução concreta para o enfrentamento ao crime organizado.

O impasse deve se prolongar, com novas tentativas de articulação e pressão nos bastidores da Câmara.

Autor

Leia mais

imgem de barracos do território q2uilombola do ES

STJ envia à Justiça Federal ação de reintegração envolvendo área reivindicada por quilombolas

Há 5 minutos

Piada de cunho sexual já caracteriza assédio, decide o TST

Há 3 horas
Fachada do prédio-sede da PETROBRAS

Petrobras tem lucro líquido de  R$ 110,6 bilhões em 2025

Há 5 horas

Vorcaro será transferido para presídio de segurança máxima em Brasília

Há 5 horas

Dino suspende quebras de sigilo da CPMI do INSS aprovadas “em globo”

Há 15 horas

TJSP determina que governo paulista indenize empresa por erro cartorial que lhe causou prejuízo

Há 16 horas
Maximum file size: 500 MB