Ricardo Salles volta a ser réu no Supremo por suposto esquema de contrabando florestal

Há 7 meses
Atualizado segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Da Redação

O Supremo Tribunal Federal (STF) assume a competência para processar e julgar o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo de Aquino Salles, acusado de participar de esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais durante sua gestão no governo Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Corte mantenha o processo contra Salles e outros 21 réus. A mudança ocorreu após o Plenário do STF fixar nova tese sobre prerrogativa de foro, em março de 2025.

A denúncia foi oferecida em agosto de 2023 pela Procuradoria-Geral da República na primeira instância. Salles é acusado de organização criminosa, facilitação ao contrabando e crimes contra a fauna, entre outras infrações penais.

Mudança de entendimento sobre foro privilegiado

O caso havia sido enviado para a Justiça Federal do Pará após a saída de Salles do ministério. Porém, em março deste ano, o STF mudou o entendimento sobre prerrogativa de foro para ex-autoridades.

A nova tese estabelece que “a prerrogativa de foro para julgamento de crimes praticados no cargo e em razão das funções subsiste mesmo após o afastamento do cargo”. O entendimento se aplica mesmo quando inquérito ou ação penal sejam iniciados depois do fim do exercício.

Com isso, todos os processos em curso voltaram para a análise da Suprema Corte. A decisão preserva a validade de atos praticados pelos demais juízos com base na jurisprudência anterior.

Operação Akuanduba e as acusações

As investigações tiveram origem em vídeos gravados durante reunião ministerial de abril de 2020. O caso foi inicialmente arquivado, mas depois reaberto após surgimento de novas provas relacionadas ao esquema investigado.

A Polícia Federal deflagrou diligências contra diversos agentes públicos e empresas supostamente envolvidos no esquema. Segundo a investigação, servidores indicados por Salles atuaram para garantir interesses ilegítimos de empresas madeireiras.

A notícia crime foi apresentada em 23/05/2020 pelos Senadores RANDOLPH RODRIGUES ALVES e FABIANO CONTARATO e pelos Deputados Federais JOENIA BATISTA DE CARVALHO e ALESSANRO LUCCIOLA MOLON, e aponta que os crimes ocorreram principalmente no município de Altamira, no Pará. Os investigados teriam facilitado o contrabando de produtos florestais da região amazônica.

Próximos passos do processo

Moraes determinou a citação do réu Murilo Souza Araújo, único ainda não citado formalmente no processo. Também ordenou que a Polícia Federal informe sobre o cumprimento da disponibilização dos espelhamentos de aparelhos apreendidos na operação.

A maioria dos 22 denunciados já foi citada e constituiu defesa nos autos. O processo aguarda ainda o acesso completo aos equipamentos eletrônicos apreendidos para dar prosseguimento às manifestações da defesa.

O ministro acolheu a manifestação da Procuradoria-Geral da República e determinou a conversão da petição em ação penal, formalizando a continuidade do julgamento no STF.

Decisão na íntegra


Autor

Leia mais

AGU garante condenação de mineradora por extração ilegal de basalto

Há 16 horas
Detentos com mãos para fora dentro de celas em um complexo prisional

Mais 10 estados estão em fase final de instalação de centrais de regulação de vagas no sistema prisional, anuncia CNJ

Há 17 horas
Jogadores da seleção brasileira

Justiça trabalhista usa Copa do Mundo como estímulo para nova campanha da conciliação

Há 17 horas

STF mantém ação penal contra Sérgio Moro por calúnia contra Gilmar Mendes

Há 17 horas

O agente secreto, Wagner Moura e o Brasil na disputa do Oscar 2026

Há 17 horas

Itamaraty revoga visto de assessor de Trump que visitaria Bolsonaro na prisão

Há 19 horas
Maximum file size: 500 MB