Luis Fux, ministro do STF

STF confirma que Luiz Fux não votará em recurso de Bolsonaro no julgamento da trama golpista

Há 4 meses
Atualizado sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Troca de turma do ministro após aposentadoria de Barroso afasta sua participação em recurso que será analisado a partir de sexta (7)

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira (6) que o ministro Luiz Fux não participará do julgamento do recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no processo que o condenou por tentativa de golpe de Estado. A análise começa nesta sexta-feira (7), no plenário virtual da Primeira Turma, e seguirá até o dia 14 de novembro.

Fux, que foi o único a votar contra a condenação de Bolsonaro em setembro, migrou para a Segunda Turma pouco mais de um mês depois da decisão. Apesar disso, chegou a se colocar à disposição para continuar participando de julgamentos já iniciados na antiga turma, mencionando lacuna regimental. No entanto, segundo o STF, a resolução 642/19 determina que a composição da turma é definida no dia do início da sessão, o que torna o recurso um novo processo, sem obrigatoriedade de sua presença.

Composição enxuta: apenas quatro ministros votarão

Com a exclusão de Fux, apenas quatro ministros comporão o colegiado que vai julgar o recurso de Bolsonaro: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. A ausência de um quinto membro amplia o peso de cada voto e pode deixar o resultado mais suscetível a empates, caso haja divergência.

Na avaliação interna do STF, Fux só poderia atuar na Primeira Turma em processos relatados por ele mesmo, o que não é o caso. A assessoria do tribunal confirmou a decisão após questionamento da imprensa. Procurado durante evento na COP30 em Belém, o presidente do STF, Edson Fachin, evitou comentar o assunto.

Recurso tenta reverter condenação de 27 anos

O recurso de Bolsonaro é uma tentativa de reverter a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão, aplicada por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A sentença foi proferida em setembro pela mesma Primeira Turma, com voto isolado de Fux pela absolvição. Ele argumentou, na ocasião, que não haveria provas suficientes para associar diretamente Bolsonaro à liderança da trama golpista.

Durante a mesma sessão em que foi derrotado, Fux afirmou: “Queria deixar claro que tenho várias vinculações de processos na Primeira Turma. Me coloco à disposição, porque o regimento é omisso. Estaria na Segunda, mas estarei aqui se for do agrado dos senhores.”

Contexto da mudança de turma

A transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma ocorreu após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, que assumiu a presidência da Corte. A movimentação de ministros entre turmas é comum nesses momentos de reorganização, mas pode impactar julgamentos sensíveis, como o de Bolsonaro.

A votação no plenário virtual tem início às 11h desta sexta-feira (7). No ambiente digital, os ministros inserem seus votos por escrito até o prazo final, sem necessidade de sessão presencial ou debate oral.

Autor

Leia mais

A foto mostra a mão de uma pessoa usando uma urna eletrônica.

STF inicia julgamento da anistia por descumprimento de cotas raciais e de gênero em eleições anteriores a 2022

Há 3 minutos
Cesta cheia de remédios entregues pelo SUS

CNJ institui comitê para centralizar informações sobre demandas judiciais por medicamentos no SUS

Há 34 minutos

Domingos Brazão deve ser transferido para presídio no Rio

Há 1 hora

Moraes mantém supervisão das medidas cautelares de Heleno e nega delegação ao juízo de primeiro grau

Há 2 horas

STF julga anistia a partidos que descumpriram cotas raciais e de gênero

Há 2 horas

STF rejeita queixa-crime do Senador Kajuru contra o Deputado Federal Gustavo Gayer por declarações em vídeo nas redes sociais

Há 3 horas
Maximum file size: 500 MB