TRF3 condena Cremesp a indenizar médico de São Paulo por danos morais

Há 11 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região — cuja abrangência jurisdicional envolve os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul —  condenou o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) a fazer uma retratação pública e a pagar R$ 20 mil a título de indenização por danos morais a um médico punido indevidamente por ensinar a prática da acupuntura profissionais que não são médicos. O processo em questão foi a Apelação Cível 0022652-15.2006.4.03.6100 (cujos autos não foram divulgados). 

Uma censura pública contra o profissional foi veiculada, em 2006, no jornal O Estado de São Paulo e no informativo do Cremesp. A medida foi resultado de processos administrativos instaurados contra o profissional com base em resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelecem a acupuntura como especialidade médica e conceituam o ato profissional de médico. Agora, o TRF 3 determinou que a retratação seja divulgada nos mesmos veículos.  

Na Justiça Federal de primeiro grau, a ação havia sido julgada improcedente. O TRF3, entretanto, acolheu recurso do autor. Prevaleceu o voto da relatora da ação, desembargadora federal Adriana Pileggi, segundo a qual a acupuntura não é exclusividade da classe médica e, por isso, não haveria problema ser ensinada a profissionais de outras áreas.

Ausência de regulamentação

“Na ausência de lei regulamentadora do exercício da acupuntura, não compete ao CFM promover a supressão da lacuna legislativa por meio de atos administrativos”, afirmou a magistrada.  Adriana também enfatizou, no seu voto, que “os processos administrativos movidos contra o apelante carecem de fundamentação legal”.

Isto porque, de acordo com a desembargadora, “a regulamentação da técnica terapêutica de acupuntura é limitada apenas por requisitos definidos em lei, inexistindo, no momento, o impedimento de sua prática por outros profissionais da área de saúde”. 

A indenização justifica-se, conforme explicou a magistrada,  pela abertura de diversos processos administrativos e sindicâncias, “sem o devido embasamento legal, ter acarretado transtornos na vida laborativa do médico, implicando ofensa à sua integridade emocional e social”.

Por unanimidade, os demais integrantes da 3ª Turma da Corte votaram de acordo com a posição da relatora. O acórdão cita precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do próprio TRF3.

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