O presidente dos EUA, Donald Trump

Trump autoriza CIA a agir secretamente na Venezuela e agrava tensão internacional

Há 5 meses
Atualizado quinta-feira, 16 de outubro de 2025

EUA planejam ações militares e operações da CIA para derrubar Maduro, enquanto Venezuela denuncia violação da Carta da ONU e convoca mobilização militar.

Em mais um capítulo da escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, a administração Trump autorizou secretamente a CIA a realizar ações encobertas contra o governo de Nicolás Maduro. A medida, revelada por autoridades americanas ao New York Times, marca uma nova fase na campanha para destituir o líder venezuelano, com possíveis ações letais e ofensivas militares em território venezuelano.

A autorização foi confirmada pelo próprio presidente Donald Trump, que declarou na quarta-feira (15) que os Estados Unidos “certamente estão olhando para a terra agora, porque temos o mar muito bem controlado”. A declaração ocorre após semanas de ataques a embarcações venezuelanas, acusadas de transportar drogas. Até agora, as ofensivas resultaram na morte de 27 pessoas.

Operações secretas e aumento da presença militar americana

A decisão de autorizar a CIA a operar na Venezuela permite à agência conduzir operações letais, inclusive em parceria com ações militares diretas. Embora não se saiba se há missões específicas em andamento, fontes indicam que os militares americanos já elaboram opções para possíveis ataques em solo venezuelano.

O aparato militar na região já é significativo: há cerca de 10 mil soldados americanos no Caribe, com a maioria estacionada em Porto Rico. A Marinha dos EUA mantém oito navios de guerra de superfície e um submarino na região.

Trata-se de um movimento coordenado entre a CIA e os militares, sob orientação do diretor da agência, John Ratcliffe, e do secretário de Estado Marco Rubio. Ambos arquitetaram a atual estratégia de pressão sobre Caracas. Ratcliffe prometeu uma CIA “mais agressiva”, menos avessa a riscos e pronta para “fazer coisas que ninguém mais pode fazer”.

Venezuela reage e denuncia “ameaça militar letal”

A resposta do governo Maduro foi imediata. Na quarta-feira (15), o ditador venezuelano ordenou exercícios militares nas maiores favelas do país, incluindo Petare, na região metropolitana de Caracas. A mobilização também ocorre no estado de Miranda, que abriga cerca de 7 milhões de habitantes.

“Vamos ativar toda a força militar de defesa popular, militar e policial”, declarou Maduro em mensagem no Telegram. Ele classificou as ações americanas como “a ameaça militar mais letal e extravagante da história”.

O regime chavista acusa os Estados Unidos de usar o combate ao narcotráfico como desculpa para legitimar uma intervenção militar e tentar se apropriar dos recursos petrolíferos do país. A Venezuela pretende levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, apontando uma grave violação da Carta das Nações Unidas.

EUA oferecem recompensa por Maduro e alegam terrorismo

A administração Trump acusa Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, uma suposta organização de tráfico de drogas ligada ao governo venezuelano. Como parte dessa narrativa, os EUA oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua prisão.

Trump também afirmou que Maduro teria esvaziado prisões venezuelanas e enviado criminosos aos EUA, em referência à facção Tren de Aragua, classificada como organização terrorista por Washington. No entanto, uma avaliação da comunidade de inteligência dos EUA contradiz essa afirmação, indicando não haver controle direto do governo venezuelano sobre o grupo.

Apesar disso, o governo Trump tem reforçado a retórica de que está em guerra contra “grupos armados não estatais”, o que justificaria as ações como legítima defesa, segundo comunicado enviado ao Congresso.

Histórico de ações da CIA na América Latina causa preocupação

A nova autorização à CIA reacende memórias de outras operações controversas da agência na América Latina. A lista inclui o golpe de 1954 na Guatemala, a fracassada invasão da Baía dos Porcos em Cuba, o apoio à derrubada de Salvador Allende no Chile em 1973 e a atuação contra os sandinistas na Nicarágua nos anos 1980.

Especialistas alertam para o risco de repetir erros do passado, considerando que as justificativas atuais têm sido consideradas frágeis, especialmente por apontar o Caribe como rota central do narcotráfico — algo contestado por analistas, que indicam uma participação pequena na entrada de drogas nos EUA.

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